Pílulas de Filosofia: O Mito da Caverna, de Platão

Recentemente, num curso de filosofia na Casa do Saber com o professor Franklin Leopoldo e Silva, me deparei pela primeira vez com o Mito da Caverna do filósofo grego Platão. É um dos mitos mais importantes da filosofia clássica (escrito lá atrás em 380 a.c. como parte do livro A República) mas fiquei perplexa com o quanto ele é atual e permanece pertinente nos dias de hoje.

e3b1a8d851769a04ceba41b168a8e421

O mito é sobre prisioneiros acorrentados dentro de uma caverna desde o nascimento. Eles estão presos olhando para uma parede e atrás deles há uma fogueira. Entre a fogueira e eles, passam estátuas de pessoas, animais e plantas e eles vêem as projeções desses objetos refletidos na parede… Mas como eles só podem olhar para a parede, nunca vêem o objeto em si, apenas as sombras projetadas.

Com o tempo, os prisioneiros vão dando nomes a essas projeções, tentando adivinhar qual a próxima sombra a aparecer, julgando e analisando as situações ali projetadas. Um dia, um dos prisioneiros escapa e pode explorar a caverna e os seus arredores. Ele vê a fogueira e as estatuas e percebe que passou a vida toda julgando e analisando uma ilusão. O prisioneiro então vai em direção à luz e à saída da caverna. Assim que ele sai, ele é ofuscado, perdendo a visão temporariamente mas, aos poucos, ele se acostuma à luz e se surpreende com o mundo real, ficando maravilhado com a nova realidade. Quando ele se depara com esse novo mundo, ele se lembra de seus companheiros da caverna e deseja mostrar que o que vivem lá dentro não passa de mera ilusão. Ele volta para a caverna e conta toda a verdade, dizendo que eles também devem sair para ver o mundo real. Mas ele acaba sendo ridicularizado por todos, pois os prisioneiros só conseguem acreditar na realidade que viveram até então. Ele é tachado de louco e até ameaçado de morte caso não parasse de falar daquelas ideias absurdas.

Esse mito é uma crítica ao homem e à falta de busca pela razão. Nós temos uma visão distorcida da realidade e acreditamos em imagens criadas a partir de conceitos culturais e sociais… Mas não é a realidade, é a representação dela. A caverna e os prisioneiros representam as pessoas que acreditam que o conhecimento está apenas naquilo que podemos ver. O prisioneiro que escapou representa o homem em busca de conhecimento e razão. Só é possível o conhecimentos quando abrimos os olhos para o que não é real e quando nos libertamos de todas as influências sociais e culturais.

Platão sugere que preferimos acreditar apenas na nossa experiência empírica, no que vemos e vivenciamos, do que questionar nossas crenças em busca da verdade e da razão… Precisamos sair do escuro, nos desprender dos conceitos que criamos a partir do meio social e cultural em que estamos inseridos para enxergar o mundo com clareza e verdade.

Mas como? Como enxergar algo que nunca vimos antes? Duvidando! Acredito que a busca pela luz, pela verdade e pelo conhecimento seja uma busca eterna! Devemos sempre questionar e duvidar para desconstruir conceitos, gerar reflexão e chegar na NOSSA verdade e não algo que foi colocado para nós. Mesmo que isso nos ofusque num primeiro momento. Essa cegueira é uma defesa, mas pouco a pouco precisamos ganhar a habilidade de sair da escuridão e enxergar as coisas como elas são, e não como preferimos acreditar que elas sejam…

Boa reflexão pra esse domingo, não?

🙂

Amor,

Anna

 

Anúncios

Para que serve a Utopia?

Um dos videos que mais gosto de assistir é esse bem curtinho do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano explicando pra que serve a Utopia:

Curiosidade: a palavra Utopia, vem do grego e tem o prefixo de “u”, “não” (ou negação) e “topos”, “lugar”, e significa um lugar que não é no agora, mas que pode ser construído no futuro. Pode ser interpretado como “outro lugar” também. Nesse sentido, seria o lugar ou estado ideal, de completa felicidade e harmonia entre os indivíduos. A palavra é atribuída também a tentativas de construir modelos socioeconômicos que não existem no presente e seriam verdadeiramente comprometidos com o bem-estar da coletividade.

Quem seríamos nós sem os nossos sonhos? Com que força poderíamos acordar todos os dias e enfrentar os desafios e administrar tantas situações que são colocadas no nosso caminho? Se não fosse essa ideia de “outro lugar”, de “situação ideal” com a qual sonhamos diariamente, não teríamos motivação para seguir caminhando… Uma pessoa sem sonhos não tem vontade de caminhar. Viva a utopia! 🙏🏻

Curta-metragem: AMA

Quem indicou esse curta metragem foi meu mestre querido, Guilherme Sant’anna e eu não pude deixar de compartilhá-lo aqui.

É um filme que conta uma história “silenciosa”, que cada um pode interpretar de um jeito, de acordo com suas próprias experiências. Lindo demais!

Intenso, belo e angustiante… Acho que pode dar aquele nó na garganta especialmente aos que sofrem ou já sofreram em silêncio.

Pílulas de Filosofia: Sócrates

Sócrates só pergunta, não ensina nada.

Você sabia que Sócrates não escreveu nada? O filósofo grego não acreditava em ensinar ou “expor conhecimento”. Ele acreditava em questionamento!

Para ele, o sábio é aquele que sabe que não sabe.

Questionando, Sócrates colocava as pessoas em posição de insegurança e isso gerava reflexão. Ele desconstruía os conceitos (ou o conhecimento que alguém achava que dominava) para que as próprias pessoas buscassem as respostas. Ele acreditava que a verdade só aparecia na interrogação!

Por isso não existem textos de Sócrates. Sua filosofia se dava no diálogo, nas perguntas, diretamente com as pessoas nas ruas! Então, como ele poderia ter escrito algo com essas convicções? Afinal, não se pode interrogar um texto!

Depois dele, Platão (seu discípulo) escreveu longos diálogos, resolvendo em partes essa dificuldade em escrever questionamentos. Os longos diálogos de Platão têm Sócrates como personagem principal e contém os ensinamentos de seu mestre. Foi muito válido para ter registros dos princípios de Sócrates mas, aos poucos, esses diálogos foram ficando cada vez mais longos e o caráter de questionamento foi se perdendo, pois eram praticamente “monólogos” de Platão e ele começava a expor suas idéias com mais força, ou seja, deram á filosofia um caráter de doutrina, de dogma. Isso determinou um marco no percurso do saber filosófico. Depois disso a filosofia se tornou definitivamente uma exposição doutrinal.

Curiosidade: por causa desse incentivo ao raciocínio e de seus questionamentos nas ruas, Sócrates teve muitos problemas com as autoridades atenienses e foi acusado de corromper os jovens e julgado por heresia. Ele se manteve firme às suas convicções durante todo o julgamento e no seu discurso de defesa disse uma de suas mais célebres frases: “A vida sem reflexão não vale a pena ser vivida.” Ele foi considerado culpado e condenado a suicidar-se ingerindo um veneno de cicuta.

Gostaram desse post? Estou pensando em fazer mais dessas “pílulas de filosofia” aqui no blog! Gostam de filosofia? Sugestões, críticas ou comentários são sempre muito bem vindos aqui ou por e-mail: anna.felizola@gmail.com 🙂

Amor,

Anna

42793d7a9640d8de2f9b189d15759f21

Dica de Filme: Newness

Acabei de assistir ao filme Newness no Netflix e estou com aquele nó na garganta desde então… Sem spoilers, o filme conta a história de um casal que se conheceu através de um aplicativo e inicia um relacionamento de uma maneira muito rápida, objetiva e com muita verdade. Verdade aqui, no sentido de sinceridade objetiva, com a demonstração de interesses de cada um muito clara. Essa verdade não se aplica tanto em relação à serem completamente abertos um com outro, em dividir angústias, em conversar sobre o passado ou compartilhar inseguranças… Aliás, logo no início percebemos um relacionamento claro, porém com a individualidade totalmente preservada, se não, blindada. 

32207919-1006067

Newness aborda como a tecnologia mudou a nossa maneira de nos relacionar e pensar. Tem tudo a ver com o conceito de amor líquido, do primeiro post que escrevi aqui no blog…

“…sobre a fragilidade dos nossos laços. Hoje estabelecemos laços frágeis propositalmente, justamente para poder desatá-los com facilidade. Bauman usa o termo conectar perfeitamente! Já perceberam como está na moda falar em conexão? Buscamos conexão justamente para podermos desconectar facilmente.” 

tumblr_oyw97g2edm1v4a8wfo1_1280

A questão que ficou desse filme pra mim foi: Qual o limite da sinceridade em um relacionamento amoroso? Esse limite da verdade existe?

Espero que gostem da dica e me contem o que acharam do filme depois!

Amor,

Anna